Posso obter a iluminação pela prática do Zen?

Sim, mas é importante entender o que significa a iluminação. A iluminação é ver com clareza o Aqui e Agora – nada mais do que isso – sem todas as falsas aparências ou sem todos os filtros que acompanham habitualmente os nossos processos mentais. É algo tão simples que leva a que a maioria das pessoas, no início da sua prática, alimentem a esperança inconsciente que seja algo mais. Mas milhares de anos de vida indicam que o que há de mais profundo ou fundamental é termos a experiência do universo, agora mesmo, tal qual ele realmente é, em vez de sermos levados pelo que o nosso pensamento, ávido e discriminativo, espera ou teme que seja o universo.

A iluminação nada tem a ver com obter algo, mas em renunciar ao apego aos nossos diálogos e “guiões” interiores, às nossas conceptualizações, vícios mentais, amores, ódios, à ideia do nosso eu separado da totalidade da existência. A iluminação não implica que não aconteçam coisas ruins. Mesmo que se alcance a iluminação e o corpo e a mente acabem por se fundir, há ainda que continuar a deitar fora o lixo e a lavar a louça.

A iluminação tem pouco a ver com poderes e feitos sobrenaturais, mas antes com o acesso ao nosso conhecimento transcendental à consciência e à aplicação do nosso potencial para a grande ação a favor dos outros.
Nan-Huai-Chin

A meditação é como limpar uma janela muito suja: é comum a claridade ir progressivamente raiando no interior de um praticante; é às prestações que a iluminação se dá. O melhor conselho a ter em conta é esquecer a iluminação e não especular sobre o que possa ser ou como se alcança. É impossível obter-se a iluminação se se procurar obter a iluminação, pois forçar o abandono dos conceitos é dar lugar a um conceito ainda mais perturbador, a mais um objetivo a alcançar. Um dos ensinamentos centrais do Zen é que a verdadeira natureza do eu e do universo revelar-se-ão naturalmente como um efeito em que, num método particular de meditação, se combina o aquietar da atividade normalmente frenética da mente com uma amena e sustentada concentração.

cortesia de openway.org.au/ tradução de José Eduardo Reis

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