Atenção na vida diária

A verdadeira prática Zen não deve estar separada da vida e, em todos os momentos, a vida pode ser uma prática de meditação. Se puderes evitar ser apanhado por pensamentos errantes que não estão relacionados com o que estás a fazer num dado momento, sentirás paz, tranquilidade, abertura e vivacidade. Ao aperfeiçoares isso, poucas perturbações emocionais ocorrerão nas actividades que diariamente tens de levar a cabo. Mesmo que as emoções sejam perturbadoras, poderás regressar à consciência do que estás a fazer.

Não vás atrás do passado.
Não te percas no futuro.
O passado já não é.
O futuro está ainda por vir.
Ao observar a vida em profundidade tal como é,
No preciso aqui e agora,
O praticante preserva
A estabilidade e a liberdade.
(adaptado do Bhaddekaratta Sutta,
traduzido por Thich Nhat Hanh)

A oportunidade para se descobrir a realidade não é para mais tarde, quando as coisas evoluem ou quando os teus problemas atuais estiverem resolvidos. A tua presente circunstância, incluindo os teus problemas, são a matéria para despertares para a realidade de Isto, Agora. Se estás a viver um problema, isso também é Este/Agora. Vai até ao âmago, observa-o claramente. Se estás a viver em sossego, isso também é Este/Agora, mas não procures agarrá-lo, uma vez que o momento seguinte terá as suas próprias características.

O meu professor disse-me uma vez,
– torna-te um com a própria união, até se dissolver.
– varre o jardim.
– qualquer tamanho.
Gary Snyder

Uma das coisas que te apercebes quando observas a natureza do eu é que aquilo que fazes e o que te acontece são a mesma coisa. Ao te aperceberes que não existes separadamente de tudo o mais, percebes o que é a responsabilidade: és responsável por tudo o que experimentas. Não podes voltar a dizer, “Ele enfureceu-me” Como é que ele pôde enfurecer-te? Só tu podes enfurecer-te. Compreender isto faz mudar o modo de te relacionares com o mundo e de lidares com a tensão. Então apercebes-te que a tensão, que em geral tem a ver com separação, é criada pelo  processamento mental das tuas experiências. Sempre que surge uma ameaça, um contratempo, um entrave, a nossa reacção imediata é rejeitar, é prepararmo-nos mentalmente ou fisicamente para  lutar ou fugir. Se te tornas no bloqueio – no medo, na dor, na cólera – e o vives plenamente, sem julgares ou sem fugires, deixando-o ir, deixa então de haver bloqueio. Na realidade não há maneira de saíres dele; não podes fugir. Não há nenhum lugar para onde fugires, não há nada donde fugires: és tu.
John Daido Loori

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